Exposição

Onde isso tudo vai acabar?
É a geração da exposição! será que o templo está tão vazio assim? sim, porque o corpo deveria ser um templo. Fico pensando se aqueles panos que cobrem as mulheres do outro lado do mundo pudessem cobrir também a minha vergonha, de fazer parte dessa geração, de ter sido influenciada em algum momento por pessoas que não se importam comigo.
Tou cansada de celular, câmera, youtube... sinto falta de papéis de carta, canetas coloridas, marchinhas de carnaval, de uma blusa de lã que eu usava com uma polaina em dias muito frios... E não é nostalgia, é tristeza mesmo.

Dias chuvosos

Hoje sai correndo pela chuva, não queria me molhar! Eu gosto da sensação da água caindo sobre mim e lavando a alma de poeta inquieto! Mas, hoje, não podia me molhar! Não queria deixar a chuva para trás, mas ela caiu antes que pudesse sorrir e abraçá-la! Antes que estivesse pronto para senti-la.

A gente se vê no próximo verão!

O que está acontecendo?

Devo ter ficado em casa ou ter sido abduzida... talvez a série não tenha feito bem, ou "Morangos Mofados". Como não consegui transferir para o Fax? era tão simples. Se tem algo que me deixa pensativa um dia inteiro é fazer o papel de ignorante, mas de fato acordei ignorando tudo. Comi pão dormido quando queria ter ido à padaria. Calcei sandália quando queria ter vindo trabalhar de tênis. Não sei o que eu mudei na minha trajetória; só sei que não está me fazendo bem. Estava pensando até em ir almoçar mais cedo, só que o receio de mexer mais na vida é apavorante. Tive sonhos tão estranhos... Preciso me concentrar. Por um momento pensei que era quinta-feira, mas é terça.
Ano passado tive uma crise psicótica na mesma época. Quero ano NOVO! Nunca esperei tão ansiosamente pelo carnaval...

O outro lado

Enquanto o boêmio vai para casa, tropeçando na roupa amassada, a menina do perfume doce e unhas roídas dorme tranquilamente! Ela está sonhando com o homem que viu no ônibus de manhã quando ia trabalhar!



O velho poeta sonha.

Boemia

Depois de mais uma noite de boemia, o velho amante latino chegou com a camisa desabotoada, pra fora das calças já batidas pelas madrugadas da cidade. Depois de não resistir e regar a roseira do vizinho, conseguiu chegar a porta de casa. Enfiou a mão no bolso, mais um telefone pra velha lista deixada no canto da casa. O cheiro de cigarro e perfume barato era forte, mas havia um doce aroma em suas mãos. Ela era uma bela mulher, casaria com ela, não fosse a mania de roer as unhas. Todas tinham manias que desagradavam, mas serviam para uma noite romântica, cheia de promessas, até que amanhecia, beijo na testa e até breve!
Não achava as chaves de casa, isso sim o preocupava, lá dentro era seu mundo, aquela velha foto estava lá!!! Ufa, estava lá...
Jogou-se no sofá, ligou o rádio e adormeceu sonhando com a foto! Essa sim, não tinha manias. Aliás, tinha, mas eram lindas e não o perturbavam! Ele gosta daquela foto! Até um boêmio sabe amar, de forma diferente, talvez mais intensa e sincera! Mas sabe amar...
Achei que tivesse esquecido a chave. Se a tivesse esquecido, ficaria do lado de fora até não suportar mais a solidão, mas por sorte a chave estava comigo e eu pude entrar.

Agora estou com uma dúvida: o que é real e o que eu projeto?

Entrei para procurar a resposta. Tinha uma certeza de que a encontraria aqui deste lado. Só que a resposta está dentro de mim e não consigo arrancá-la; ninguém consegue.

Estou andando em círculos, tentando voltar pro eixo. Mas, sabe aquela força... então, não me deixa. Não é uma crise; deve ser só um período de transição, como um romântico que vira realista...
Hora de pedir desculpa pela ausência. Parece que ando deixando a correria tomar conta dessa minha vida, que nem sei mais porque corre tanto, e teima tanto em ser assim. Parece que o tempo parou, mesmo que ele não me espere. Será que fui eu quem parou?
Mais uma dose.
Já não sei qual dose, se de tédio, nostalgia, risos, sorrisos e puff!
- Mais uma, por favor!
Já não escrevo, seria preguiça? Ou vontade de não entender o que se passa? Só sei que sinto saudade daquele cheiro de calmaria e filmes de domingo a noite!
- Opaaa! Saudades de você! E de você também!
- Vê se me liga, joga a chave pro alto, pára de descer a velha escadaria! Desliga essa música, eu tô compondo uma nova pra você!

Sem pressuposto

"Tô" realmente cansada. Fazia uns dias que não me sentia assim, mas acho que suportei enquanto pude.
Não fico mais preocupada quando me sinto assim. Simplesmente faço as coisas mais devagar, sem pensar muito se há um sentido ou não.
Vou completar mais um ano de vida com a sensação de ter vivido muito mais. Refleti demais, chorei, dancei pouco, me odiei, valorizei os líquidos e os sólidos. Assumi que sou complicada e que posso fazer muito mal a mim mesma.
Enfim, "tô" aprendendo comigo a ser eu mesma. Talvez esta seja a maior lição da minha vida. Talvez eu esteja perdendo o meu tempo. Acho que a fonte esgotou e preciso me movimentar.

A gente é feliz e sabe disso

A gente é feliz e sabe disso. Depois de visitar o orkut de uma amiga, esse pensamento vem me acompanhanho.
Sim, a gente é feliz porque acredita na mudança. Somos a própria mudança, no discurso, no modo de agir, de falar, de nos vestirmos, de amar.
O que não muda fica fora de moda. Se não muda, não sonha.
A gente é feliz pelo simples fato de reconhecer o que é realmente belo, ao natural e na futilidade também.
Mudamos para nos adaptar, quando nos convém. Porque muita coisa não nos agrada. E o que não é agradável descartamos. Porque quinquilharias achamos em brechó ou museu.
O retrô até que cai bem...
Não sei quantas vezes já falei que não sou daqui e não sou mesmo, mas me divirto.

Por preferir amar demais

Encurralada. Sufocada. Amarrada. Parada. A culpa é toda minha.
A culpa é toda minha se me prendo, se me apego, se me deixo ser...
Se fosse ignorante, acreditaria na minha inocência.
Se fosse esperta, seria ignorante.

Não sou nem uma coisa nem outra; sou complexa.

Que bobagem!

Com licença poética

"Pq eu sempre sinto MUITO mais do que eu posso entender..

Resolvi não chorar e me contive... Não podia fazer de toda despedida um martírio! Consegui fazer diferente: __Não chorei!! Contou a outra parte..
E daquele dia em diante passei a saber lidar melhor com meus medos e dúvidas. Acho que estava evoluindo e conseguindo "ser"... Só não descobri AINDA se este é o real motivo de estar aqui!

_ Meu eu-lírico


*Quer saber, eu tou cansada de esperar*

*E daí não me pergunte, sem mais delongas, mas descobri que, almejando o que nunca esteve ao meu alcance(perfeição), pude constatar que o 'ser perfeito' é constituído de elementos altamente corrosivos à índole e aos valores de uma pessoa....Só então percebi que a perfeição é a mais mesquinha das imperfeições.."

Não mexi em nada. Este é o perfil de uma grande amiga. Ela não sabe ser superficial quando escreve. Não nasceu Clarice porque é única.

Um novo começo

O plano agora é não ter planos.
Se chover, quero me molhar. Se não olhar pros lados, quero ser atropelada.
Quero escrever em espelhos de banheiro, em vidros embaçados e em móveis empoeirados. Não me interessa se vou marcar alguma coisa ou alguém. O que me move agora é uma vontade imensa de ver letras com vida, com alma.
A cada suspiro delas me sinto mais viva. Mesmo que elas não sejam minhas. Ainda que não tenham nascido de mim.

Três mundos

Pensei que estava próxima de descobrir quem sou. De novo me vejo longe do Santo Graal, a cavalgar por uma estrada pra onde o vento me empurrou.
Estou com dificuldade de sentir cheiros e sabores. Meu coração se acalmou. O pensamento vai longe; não tão longe quanto a imaginação. Mas estou tentando me manter na Terra. Com a cabeça tão elevada, acima das nuvens, confesso que não é fácil. E também não sei até quando vou perseguir isso.
Queria descansar onde o primeiro raio de sol tocasse meu cabelo e quando se pusesse, beijasse minha testa. Seria a perfeita personificação da grande estrela.
Como fixar meus pés no chão se voar me faz tão bem? Como estar aqui e lá? Por que gosto tanto de inverno se é a primavera que eu espero desde o outono?
Sempre abraço as minhas dores porque acho que elas precisam de conforto e que vão embora mais rápido assim.

1986

Desde quando eu a ouço? não me lembro.
Mas agora quero segui-la.
O que me assombra é a lembrança das palavras que li, "comi" e outras que "vomitei".

Desculpe se às vezes me afasto, é que vivo me perdendo... nostalgia!

Acho que estraguei tudo.

É tempo de renascer.
Não sei do amanhã; não quero perder tempo com o passado. Meus planos são tudo que tenho agora, no presente.

E ventou dentro de mim...

Limite? talvez o universo, só que ele não pára de expandir.
A sensação agora é que posso explodir e que ninguém vai se importar. Não quero flores fora do vaso e sem raiz.
A violeta mais bonita é a roxa, ela era tão aveludada... o jardim era pequeno e guardava o medo.
Difícil é saber onde eu o perdi.
Não era a estrada errada. Troxe aventura, perigo e prazer.
Se é ou não um transtorno, estou cansada e triste.
Tenho sorte!
O coração está partido. E minha alma voa... em busca de um novo lugar para repousar e viver sonhando.

A Volta da Borboleta

Amou até se perder
e deixou um pedaço de alma
onde não sabe se volta.

A melhor história foi escrita
por linhas tortas
e com uma cor que fere e quase mata.

Voltar não é o caminho
partir sem asas
e voar...

Se um dia voltar,
o mar a engole
Mas nada, nada...

Nada será do Fogo
sem o Ar.

Um brinde à bela flor!

Eu quero amar,
amar perdidamente!
Amar só por amar:
aqui…além…
Mais Este e Aquele,
o Outro e toda a gente….
Amar! Amar!
E não amar ninguém!

Recordar?
Esquecer?
Indiferente!…
Prender ou desprender?
É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira
é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz,
foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó,
cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder…
pra me encontrar…

Florbela Espanca - A mensageira das violetas

Se soube amar?! Não sei... mas amou de todas as formas, até resolver partir!

O telefone.

Eu ando prestando atenção em melodias,
deixando minhas velhas rimas...
Crianças às gargalhadas!
Um carro passou,
o sol entrando sem pedir licença!
Quem deixou!?
Saudade do sol.
Gosto das estrelas.

Eu comprei um novo disco,
pra minha velha vitrola!
Eu ganhei um velho livro,
pra minha nova coleção!

Hilda, uma tarde de conversas!
Bora?!
Plim! Plim!
- Oi?!
- Claro!
- Até!
Simples. Monossílabas.
Tempo pra quê?!

Eles me olham.
Um beijo, até amanhã
!

Qual é a palavra?

A palavra que eu mais tenho empregado é saudade. Não sei se a época é propícia, se é o tempo, a chuva, a distância. A verdade é que estou me acostumando a sentir saudade. E começo a pensar... será que as coisas das quais não sinto saudade estão perdendo o valor? Acho que não. Quer dizer, de qualquer modo estou me lembrando delas. Agora, saudade... saudade é saudável, não pode ser confundida com tristeza nem pode ser acompanhada de choro. Quando ela vem, tem que trazer esperança acompanhada de um sorriso, com a certeza de que vale a pena pensar numa pessoa, ou casa, ou dia, ou cheiro...
Talvez quisesse a saudade da saudade. Porque é quando se está vivendo que se sente menos saudade. E o que é diferente de viver sem ser morrer?

10 de julho

Renato lia Baudelaire e Rimbaud e ouvia Cazuza, que lia Rimbaud e Lispector e escreveu "Qual é a cor do amor". Marcel Proust lia Baudelaire e escreveu "Em busca do tempo perdido". "Tempo perdido" é nome de uma música de Renato, que escreveu "A montanha mágica", que é o nome de um livro de Thomas Mann.
Cuidado com o que você lê e escuta! Você pode morrer cedo...

Brincadeirinha!


Em 1871 nascia Marcel Proust na França.

Para todos os cancerianos... "Depois de morto, Aquiles se arrependeu da escolha em relação ao seu destino: 'Não tentes consolar-me a respeito da morte! Eu preferia cultivar os campos a serviço de outro, de um homem pobre e de poucos recurso, a dominar sobre todos os mortos'."

"Introvertido, imaginativo e sonhador, o canceriano refugia-se em sua casa sempre que pressente o perigo, pois precisa de proteção. Apesar da índole pacífica, é desconfiado e sujeito ao desânimo." Proust se superou. Ficou recluso por pelo menos 14 anos.

Um abraço para os arianos Baudelaire, Cazuza e Renato; para Proust (canceriano) ; para a querida sagitariana, Clarice e para o geminiano, Thomas. Ah! e um para o libriano que não tinha nada de equilibrado, Rimbaud. rs

Depois continuo...